02 ABR 2026 MÚSICA
RETORNO
MÁRIO LAGINHA
É curioso pensar que um músico habituado a dar concertos a solo com regularidade tenha esperado dezanove anos para gravar o seu segundo álbum de piano. A explicação é simples: ao longo deste tempo, estive sempre envolvido em projectos muito variados, que me apaixonaram. Não posso dizer que haja um vazio, simplesmente, o trabalho de partilha musical foi sempre falando mais alto. O tempo, como sabemos, não fica à espera.
Mas eis que, finalmente, ele aqui está. Ao contrário de “Canções e Fugas”, “Retorno” apresenta uma estrutura mais livre. Integra uma série de temas que fui compondo e improvisos criados durante a própria gravação. Fascina-me esta possibilidade de me sentar ao piano sem fazer ideia nenhuma do que irei tocar. Alguns improvisos parecem ter sido parcialmente escritos, outros deixam claro que não. Ambos me divertem e desafiam.
Com este disco, — sem dúvida, resultado da parceria destes últimos anos com o Camané — fui deixando cair as barreiras que tinha erguido entre mim e o fado. Há, por isso, uma permeabilidade intencional a novas influências que, de formas mais ou menos óbvias, estão aqui presentes.
Depois de dezanove anos, retorno a uma solidão que, apesar de tudo, nunca me foi estranha.

Mário Laginha

MÁRIO LAGINHA

Com uma carreira de mais de três décadas, Mário Laginha é conotado com o mundo do jazz. Mas a sua música passa também pelas sonoridades brasileiras, indianas, africanas, pela pop e o rock, e pelas bases clássicas que o formaram.
Gravou um disco a solo, “Canções e Fugas”, mas gosta de partilhar a sua arte com outros músicos e criadores. Desde logo, com Maria João, com quem gravou mais de uma dezena de discos (“IRIDISCENTE” é a sua última aventura musical com a cantora). E também com Pedro Burmester e Bernardo Sassetti, com quem cultivou grande cumplicidade até ao seu inesperado desaparecimento, e com músicos como Trilok Gurtu, Gilberto Gil, Lenine, Ralph Towner, Manu Katché, Julian Argüelles, Howard Johnson, Django Bates, André Mehmari entre outros.
Em finais de 2013, Mário Laginha e o seu Novo Trio lançaram “Terra Seca”, um disco inovador para o jazz e a música portuguesa.
Em finais de 2015 retomou a colaboração com Pedro Burmester, com quem tem participado em importantes Festivais de Música em Portugal e no estrangeiro.
Em Novembro de 2017, conjuntamente com os músicos Julian Arguelles e Helge Norbakken (LAN TRIO) editou pela label Inglesa “Edition Records” o álbum “SETEMBRO”. Em 2018 inicia uma longa tournée com Camané, que culmina com a gravação do premiado álbum “Aqui está-se sossegado”.
Em Outubro de 2020 edita o álbum “ATLÂNTICO”, o segundo do LAN TRIO (Laginha, Arguelles, Norbakken).
Em 2021 continua os concertos com Pedro Burmester, com Camané e com o seu Trio (Bernardo Moreira e Alexandre Frazão), com quem grava um novo disco, JANGADA, editado em Fevereiro de 2022.
Colabora regularmente com a Orquestra Gulbenkian, a Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música, a Orquestra Sinfónica Portuguesa, a Orquestra Metropolitana de Lisboa e a Orquestra Filarmonia das Beiras.
Atualmente, para além dos concertos de apresentação de RETORNO, compõem para Cinema e Teatro e prepara o terceiro álbum com o LAN Trio.
FICHA TÉCNICA E ARTÍSTICA

Piano e Composição
Mário Laginha 


Classificação Etária
M/6

Duração
75 min.