17 JAN 2026 MÚSICA
JOHNNY JOHNSON
DE KURT WEILL

TEATRO NACIONAL DE SÃO CARLOS | ORQUESTRA SINFÓNICA PORTUGUESA
Uma sátira mordaz envolta em melodia e loucura, Johnny Johnson expõe o absurdo da guerra através do riso, da desilusão e de um profundo anseio pela paz. Estreado em Nova Iorque em 1936, este musical em três atos foi a primeira obra do género americano que Kurt Weill compôs, numa colaboração com o dramaturgo Paul Green, inspirada pela novela O Bom Soldado Švejk de Jaroslav Hašek. Através da mistura de cenas cantadas e declamadas, ritmos de jazz e paródia a marchas militares, esta partitura de Weill conjuga a espontaneidade da Broadway e a fina ironia europeia.

O enredo gira em torno de Johnny Johnson, um pedreiro idealista de uma pequena cidade, que resolve esculpir um monumento à Paz no momento em que o seu país se envolve na Primeira Guerra Mundial. Recrutado apesar do seu pacifismo, a inocência de Johnny é desafiada pela máquina de guerra da modernidade: do patriotismo ingénuo entre os seus conterrâneos, à farsa grotesca de generais planeando chacinas enquanto bebem champanhe. A sua compaixão leva-o a desobedecer a ordens, a tentar uma trégua e, enfim, a ser diagnosticado louco: uma “vítima de monomania da paz”. Quando finalmente retorna a casa, abalado mas não derrotado, Johnny torna-se vendedor de brinquedos, sob o espectro de uma nova guerra, cantando a sua frágil esperança contra o rugido do militarismo.

Sob a direção musical de João Paulo Santos, esta nova produção dá continuidade ao projeto de sublinhar a relevância urgente de Kurt Weill junto do público contemporâneo. Johnny Johnson persiste como um testemunho intemporal de que a consciência, mesmo ridicularizada ou esquecida, pode ainda fazer-se ouvir por entre o clamor da guerra.
ORQUESTRA SINFÓNICA PORTUGUESA

Criada em 1993, a Orquestra Sinfónica Portuguesa (OSP) é um dos corpos artísticos do Teatro Nacional de São Carlos e tem vindo a desenvolver uma atividade sinfónica própria, incluindo uma programação regular de concertos e participações em festivais de música nacionais e internacionais. Colabora regularmente com a Rádio e Televisão de Portugal através da transmissão dos seus concertos e óperas pela Antena 2, designadamente a realização da tetralogia O anel do Nibelungo, transmitida na RTP2, e a participação em iniciativas da própria RTP, como o Prémio Pedro de Freitas Branco para Jovens Chefes de Orquestra, o Prémio Jovens Músicos-RDP e a Tribuna Internacional de Jovens Intérpretes. No âmbito das temporadas líricas e sinfónicas, a OSP tem-se apresentado sob a direção de notáveis maestros, como Rafael Frühbeck de Burgos, Alain Lombard, Nello Santi, Alberto Zedda, Harry Christophers, George Pehlivanian, Michel Plasson, Krzysztof Penderecki, Djansug Kakhidze, Milán Horvat, Jeffrey Tate e Iuri Ahronovitch, entre outros. A discografia da OSP conta com dois CD para a etiqueta Marco Polo, com as Sinfonias n.os 1, 3, 5 e 6 de Joly Braga Santos, que gravou sob a direção do seu primeiro maestro titular, Álvaro Cassuto, e Crossing borders (obras de Wagner, Gershwin e Mendelssohn), sob a direção de Julia Jones, numa gravação ao vivo pela Antena 2.

Em maio de 2022, foi lançado o CD editado pela Naxos com obras de Fernando Lopes-Graça, sob a direção de Bruno Borralhinho.
No cargo de maestro titular, seguiram-se José Ramón Encinar (1999–2001), Zoltán Peskó (2001–2004) e Julia Jones (2008–2011); Donato Renzetti desempenhou funções de primeiro maestro convidado entre 2005 e 2007. Joana Carneiro foi maestrina titular de 2014 a 2021. Atualmente, a direção musical está a cargo de Antonio Pirolli, seu maestro titular. A Orquestra Sinfónica Portuguesa completou 30 anos de atividade em 2023.
FICHA TÉCNICA E ARTÍSTICA

Direção musical
João Paulo Santos
Textos e conceção cénica
Mário João Alves

Mariana Castello Branco
Minny Belle (Minerva) Tompkins; Voz dos canhões
Ana Ester Neves
Aggie Tompkins; Estátua da Liberdade; Voz dos canhões
Cátia Moreso
Enfermeira francesa; Voz dos canhões
Mário João Alves
Sargento Jackson; Major-general francês; Padre alemão
Gabriel Neves dos Santos 
Tenente de West Point; Major-general belga; Padre americano
Mia Henriques
Johnny Johnson
Diogo Oliveira
Mayor (Presidente da Câmara); Soldado Harwood; Brigadeiro-general britânico
André Henriques
Capitão Valentine; Comandante das Forças Aliadas; Anguish Howington
Mário Redondo
Sargento inglês; Comandante americano; Doutor Mahodan

Orquestra Sinfónica Portuguesa
(Maestro titular Antonio Pirolli)

Direção Artística do Teatro Nacional de São Carlos
Pedro Amaral


Classificação Etária
M/6

Duração
65 minutos (sem intervalo)


Kurt Weill (1900-1950)
Texto de Paul Green (1894-1981)

Estreia absoluta
44th Street Theatre, Broadway, Nova Iorque, 19 de novembro de 1936

Estreia em Portugal
Teatro Municipal Joaquim Benite, Almada, 9 de janeiro de 2026

Musical em versão semi-encenada

Editora
European American Music Corporation